16 outubro, 2018

 • Mãos

Rigidez articular – como tratar

Artigo Journal of Hand Therapy publicado em outubro 2018

Seleção de exercícios focados para melhorar a adesão do paciente e amplitude de movimento na rigidez articular dos dedos.

Target-focused exercise regime to improve patient compliance and range of motion in the stiff hand

Sudhagar Gangatharam
In Press, Corrected Proof, Available online 11 October 2018

ARTIGO RESUMIDO – tradução livre

O que é a rigidez articular

A rigidez articular é comumente vista na prática da terapia da mão. Os fatores de risco para a rigidez incluem: múltiplos traumas teciduais, imobilização, infecção e diminuição da elasticidade tecidual em populações idosas.

Tem sido relatado que o pobre manejo clínico após uma lesão na mão pode contribuir para a rigidez, disfunção da mão e contratura articular. Muitos tratamentos e técnicas têm sido relatadas na literatura para gerenciar a rigidez articular nas mãos. As técnicas incluem exercício, mobilização articular, moldagem para mobilizar rigidez (casting to mobilize stiffness),  e uso de uma órtese mobilizadora. Não há pesquisas para apoiar qualquer técnica de tratamento específica no manejo da rigidez articular, exceto a órtese mobilizadora e a mobilização da articulação. A vantagem da mobilização ativa, é que estimula o sistema linfático, o que pode reduzir edema. A mobilização ativa pode impedir qualquer padrão não apropriado, que seja comumente visto após a lesão na mão.

Importante papel do paciente

A adesão ao tratamento é um fator importante que pode influenciar o resultado desse tratamento. Groth e Wulf definiram compliance na reabilitação das mãos como “um engajamento ativo no processo de reabilitação.” Eles sugerem que o terapeuta, médico, e paciente devem ser agentes ativos no processo de reabilitação e que cooperação com as recomendações específicas é crucial para otimizar os resultados do paciente. Dois importantes fatores motivadores que foram identificados para melhorar a compliance são, a capacidade de se auto-tratar e a expectativa de resultado. As barreiras que podem diminuir a adesão ao tratamento inclui baixo nível de atividade física, baixa capacidade de se auto-tratar, piora da dor durante o exercício, ansiedade, depressão, desamparo, baixo apoio social e familiar e problemas de transporte.

Acompanhamento terapêutico

Estratégias recomendadas para superar essas barreiras incluem o fornecimento de instruções verbais explícitas, pedir para o paciente repetir as instruções e fazer anotações para faze-las em casa, usar técnicas motivacionais como “sessões de aconselhamento”, feedback positivo, recompensas, contrato de tratamento por escrito, diários de exercício, estabelecer metas de tratamento, planos de ação, planos de enfrentamento e outros.

Protocolo da pesquisa

Usamos o seguinte protocolo de exercícios, focados no alvo como técnica de tratamento para resolver a rigidez e melhorar a compliance.

Os pacientes foram selecionados para realizar o programa com base nos resultados do “Teste de Semanas Modificadas” (teste que tem o objetivo fornecer aos médicos e terapeutas um plano de imobilização após um trauma, determinando se rigidez será um problema para o paciente. A amplitude de movimento é medida a “frio”, no inicio, depois de aquecer e exercício ativo a amplitude é medida novamente). O paciente que alcançou mais de 20° de aumento na amplitude de movimento passiva após o teste,  foi prescrita a técnica de máximo grau de alcance.

1 – Os pacientes são solicitados a segurar ativamente um bloco (Figs. 1 e 2). O bloco é feito de material termoplástico de sucata; o tamanho do bloco depende da amplitude de movimento ativa do paciente. A distância entre a ponta e a palma é medida usando uma régua, e se a distância é de aproximadamente 5cm, é fabricado outro bloco de aproximadamente 4,25cm, por isso, este novo bloco pode atuar como um alvo para o paciente alcançar.

2 – Uma vez que o paciente tenha alcançado o alvo segurando o bloco, ele é solicitado a manter segurando por 10-20 segundos antes que ele solte o bloco (fig. 3)

3 – O paciente é solicitado a repetir isso com mais 4 blocos.

4 – O paciente irá repetir este processo a cada hora por 4-5 dias, após isso, a altura do bloco é alterada para 1,25cm, se o paciente consegue segurar o bloco com facilidade.

5 – O paciente é então solicitado a realizar o mesmo exercício com o novo bloco mais curto por mais 4-5 dias, após o qual, o tamanho do o bloco será alterado novamente.

6 – O processo é continuado até que o paciente consiga fazer a flexão completa do dedo.

Finalidade do exercício

O limite da amplitude sustentado está sendo usado para promover o alongamento do tecido. Agarrar o bloco também dará ao paciente confiança para usar a mão durante o desempenho de atividades da vida diária. Os autores descobriram que esta técnica é rentável, fácil de usar, confortável e tem alta compliance resultando na mobilização efetiva da mão rígida

(Figs. 4A e 4B e 5).

Protocolo de exercícios e educação do paciente

Como a amplitude de movimento do paciente na articulação interfalangeana proximal é aumentada; ele é aconselhado a segurar o bloco perto do sulco palmar distal para melhorar o alcance da articulação interfalangeana distal. Os pacientes são acompanhados semanalmente em terapia para verificar a melhoria e moldar o bloco se necessário

Implicação clínica e conclusão

O limite da amplitude sustentado focalizado no bloco, permitiu que pacientes possam se focar mais em um objetivo específico. Essa técnica melhorou a adesão do paciente ao programa de terapia e preveniu qualquer deterioração na amplitude de movimento mesmo quando os pacientes interrompem os exercícios.

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