27 agosto, 2019

 • Mãos

Quais são as etapas no processo de cicatrização de feridas

Etapas da cicatrização

O processo cicatricial se inicia, quando ocorre um trauma ou ferimento, independente da forma que causou.  Quando isso acontece, ocorre um evento celular no nosso organismo, uma cascata sequenciada. Essa sequência foi descrita em 1910, sendo dividida em cinco elementos principais: inflamação, proliferação celular, formação do tecido de granulação, contração e remodelação da ferida. 

Recentemente, o autor que escreveu essa sequência (Carrel A. The treatment of wounds. JAMA. 1910) reclassificou esse processo em três fases, divididas em: fase inflamatória, fase de proliferação ou de granulação e fase de remodelamento ou de maturação.

Então, quando falamos em lesão tecidual podemos especificar como um corte na pele, um rompimento tendíneo, um estiramento ligamentar, uma fratura. Enfim, todos são tecidos, e quando lesionados, sofrem esse processo natural de cicatrização.

Após a  lesão tecidual ocorre o início do processo de cicatrização –   Elementos sangüíneos em contato com o colágeno e outras substâncias da matriz extracelular provocam degranulação de plaquetas e ativação das cascatas de coagulação que são a formação de tampão da lesão. Com isso, há liberação de vários mediadores importantes que garantem e conduzem o processo cicatricial. 

Fase inflamatória

A primeira fase é a Fase Inflamatória: inicia imediatamente após a lesão, com a liberação de substâncias vasoconstritoras (diminuição dos vasos), pelas membranas celulares. O endotélio lesado e as plaquetas estimulam a cascata da coagulação (barreira protetora para evitar entrada de microorganismos). Visando a hemostasia (diminuindo do fluxo sanguíneo), essa cascata é iniciada e grânulos são liberados das plaquetas, as quais contêm fator de crescimento de transformação. O coágulo é formado por colágeno, plaquetas e trombina, que servem de reservatório protéico para síntese de citocinas e fatores de crescimento, aumentando seus efeitos (formação de novas células protetoras). Desta forma, a resposta inflamatória se inicia com vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular, promovendo a quimiotaxia (migração de neutrófilos para a ferida).

Neutrófilos são as primeiras células a chegar à ferida, nos quais produzem radicais livres que auxiliam na destruição de bactérias, apresentam maior concentração 24 horas após a lesão. Os neutrófilos aderem à parede do endotélio (pele) e logo são gradativamente substituídos por macrófagos (células imunológicas) que irão combater microorganismos externos, ajudam na prevenção de infecção.

Os macrófagos migram para a ferida após 48 – 96 horas da lesão, e são as principais células antes dos fibroblastos migrarem e iniciarem a replicação.

Fase proliferativa

A fase proliferativa é constituída por quatro etapas fundamentais: epitelização, angiogênese (formação de pele), formação de tecido de granulação e deposição de colágeno (fechamento da ferida com tecido mais resistente). 

Esta fase tem início do 4º dia após a lesão e se estende aproximadamente até o término da segunda semana. A epitelização ocorre quando as células epiteliais (novas células teciduais) migram em direção superior das camadas normais da pele e são restauradas em três dias. Se a membrana basal (a primeira linha de pele nova) for lesada, as células epiteliais das bordas da ferida começam a proliferar na tentativa de restabelecer a barreira protetora.

A parte final da fase proliferativa é a formação de tecido de granulação (junção de células teciduais). Os fibroblastos, que são células fortes que ajudam na formação de tecido e pele, mais as células endoteliais são as principais células da fase proliferativa. Os fibroblastos dos tecidos vizinhos migram para a ferida, porém precisam ser ativados para sair de seu estado de quiescencia (estado estático sem ativação). 

 Fase de maturação ou remodelamento

A característica mais importante desta fase é a deposição de colágeno de maneira organizada (fechamento mais resistente da ferida). O colágeno produzido inicialmente é mais fino do que o colágeno presente na pele normal. Com o tempo, o colágeno inicial (colágeno tipo III) é reabsorvido e um colágeno mais espesso é produzido e organizado ao longo das linhas de tensão (nova pele formada após a lesão). Estas mudanças se refletem em aumento da força tênsil da ferida. A reorganização da nova matriz é um processo importante da cicatrização. Nessa fase é importante ter o tratamento cicatricial, onde podemos deformar esse tecido novo, nesta fase do processo cicatricial os tecidos de colágenos se formam de forma embaralhada, como um novelo de lã, formando uma cicatriz hipertrófica, onde cada camada de tecido podem colabar ou grudar uma na outra. Quando isso ocorre a pele fica com retração, prejudicando a elasticidade normal, no qual pode até ter prejuizo de função manual. 

A Terapia da Mão tem recursos terapêuticos e técnicas nas quais ajudam nessa deformação cicatricial em todas as fases da cicatrização, evitando e prevenindo assim, retrações cicatriciais e aderências que podem causar limitação na amplitude de movimento, hipersensibilidade, entre outros e ainda ajuda a deixar a cicatriz esteticamente melhor.

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